por RAPHAEL KLOPPER

Para nós, adeptos de filmes marmanjos de ação testosterônica, mais uma adaptação de super-heróis de histórias em quadrinhos cobertos de CGI com certeza passa desinteresse e desgastura. Porém, há muita coisa de interessante para se gostar em AQUAMAN, o mais novo filme da DC Comics e do diretor James Wan, que talvez tenha feito aqui o seu melhor filme!

Vindo de uma carreira iniciada no horror, com os ótimos INVOCAÇÃO DO MAL, SOBRENATURAL e o primeiro JOGOS MORTAIS, e contribuindo para a ação com VELOZES E FURIOSOS 7, Wan retorna ao gênero, com uma produção de grande orçamento e mergulha de cabeça no universo de super heróis. No entanto, diferente do que podem imaginar, AQUAMAN se afasta de qualquer espécie de amarra à um universo de filmes compartilhados, no qual a DC anda mais atrapalhada do que nunca. E consegue fazer um trabalho muito próprio, autoral, e que torna o primeiro filme solo do personagem Aquaman no cinema algo realmente especial.

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Diferente de, por exemplo, um filme como MULHER MARAVILHA, de Patty Jenkins, no ano passado, que conseguiu manter dois decentes atos antes de entrar na luta CGI pirotécnica do terceiro ato, descambando seu tom, até então coeso. Wan, por outro lado,  constrói um filme melhor acabado, com bom ritmo e narrativa, numa coesa apresentação dos conflitos, aventura e desenlace da jornada do herói, desde o bom início ao fantástico fim.

AQUAMAN apenas se auto sabota em alguns desnecessários trechos expositivos, como o grande objetivo da missão, por exemplo, para buscar o macguffin do filme, ao invés de explorar um pouco mais do universo criado aqui. Mas isso talvez seja exigir algo que o filme não se propõe em seu objetivo. No entanto, assim que Orm (Patrick Wilson, completamente canastrão, mas muito divertido) entra em cena, impondo sua rivalidade com Arthur (Jason Momoa), que tanto desencadeia um conflito interessante até o final do filme, como também resulta em uma memorável luta em um coliseu aquático. E é o território onde AQUAMAN tem de melhor para entregar. Especialmente na ação final, com um digno espetáculo de proporções épicas.

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Pode parecer estranho, mas AQUAMAN consegue aspirar várias das características do gênero Épico propriamente dito, seja na dose de aventura em grande escala, no drama do homem rumo a encontrar seu destino, no romance que pode unir dois mundos, na história, que aspira fortes elementos de fantasia. Só faltava ser um filme de três horas e PUM, teríamos um épico cinematográfico sobre Aquaman. Mas, temos algo perto disso em uma boa história sendo contada.

O filme Traça certos paralelos dessa história (de forma às vezes muito óbvia) em volta da jornada de Arthur com a própria a lenda do Rei Arthur (só não pode confundir os nomes). A busca pelo Tridente do Rei Atlan, que só poderá ser empunhado pelo novo verdadeiro rei, sendo a busca pela Excalibur da vez; Vulko (Willen Dafoe) claramente sendo o papel do mentor, como Merlin; Mera (Amber Heard) sendo uma Guinevere guerreira (talvez?!); e o fato de Arthur ser o filho bastardo, carregado em seu sangue a linhagem real, etc.

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Mas foquemos na parte interessante, pois se houve alguém que disse que a luta na arena em Sakaar, entre Thor vs Hulk em THOR RAGNAROK, foi a mais épica do gênero, é porque não viram ainda o que James Wan realiza em AQUAMAN no primeiro confronto entre Orm e Aquaman. Não só pelo tom imposto, em ser uma verdadeira porradaria franca, mano a mano, à moda antiga, parecendo algo tirado de um anime ou de um Street Fighter da vida, mas também pela imensidão do cenário e a energia vívida que o coliseu inteiro mostra.

Com milhões de personagens gritando em torcida, enquanto dois pontinhos pequenos, que são nossos herói e vilão se digladiando. É exatamente um dos vários momentos em que impressiona pela escala GIGANTESCA com a qual o filme é construído. Cada cenário é criado com uma imensidão e vastidão visual incríveis e que te salta os olhos, dá vontade de pausar cada momento para ver os mínimos detalhes. Mostrando tanto o mundo subaquático quanto os lugares na terra com que Arthur passa, como partes de um mundo só, gigantesco e imerso, em lugares inexplorados. Tudo fruto de um gordo investimento que a Warner confiou à James Wan e que ele investiu cada centavo na tela.

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Com as cenas na superfície carregando essa vibe leve, de um filme de aventura old school, seguindo os melhores moldes de INDIANA JONES, com Wan apostando no design da ação corriqueira, que desencadeia tanto em uma porradaria memorável entre Arthur e o vilão Arraia (que parece ter sido arrancado de uma página dos quadrinhos e colocado na tela), como na perseguição excitante nos telhados da Vila.

E como esperado, tanto nessa quanto em outras cenas, Wan usa e abusa dos seus mini planos sequências com a câmera rodopiando pelos cenários e acompanhando cada golpe dado, seja seguindo a geometria de um corpo sendo atirado contra paredes, como indo para a perspectiva de uma arma atirando. Com a ação sempre centralizada no campo de visão limpo e nem um pouco confusa, seja nas sequências de efeito prático quanto nas em CGI, ou quando ambas se mesclam de forma indistinguível (na maioria das vezes).

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Mesmo que AQUAMAN carregue quilos de CGI, você vê como um diretor competente não deixa que esse tipo de ação seja genérico, e realmente cria algo excitante e que te faz sentir a força de cada golpe e impacto. E o fato de Jason Momoa ser um monstro gigante e altamente carismático, se entregando de verdade à cada cena que possa soar como cafona ou brega, faz tudo ser legal de se assistir.

Todo o resto do elenco, na verdade. Yahya Abdul-Mateen II surpreende com um Arraia bem motivado e carregado de ódio, gerando algumas confrontos memoráveis, te deixando com um gostinho de quero mais. O mesmo serve para Patrick Wilson, que abraça a cafonice do seu papel como Orm e se torna um nemesis minimamente interessante para Arthur. O mesmo serve para Amber Heard, com sua Mera sendo praticamente a segunda heroína do filme. Só dois talentos deixam a desejar: Willem Dafoe faz o mestre mentor que já vimos milhares de vezes; e mesmo que a peruquinha ruiva de Dolph Lundgren, como o rei Nereus, o deixe com um ar quase ridículo, não deixa de ser uma presença legal, mas que merecia bem mais destaque, mesmo sendo um personagem meio babaca e disposto a entrar em guerra sem se importar com as consequências, assim como Orm. Nosso sonho de ver Dolph como um Aquaman mais velho ainda continua.

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A teoria de que diretores profissionalizados no gênero terror, ao migrarem para a ação, conseguem mostrar algo tão especial e inovador é algo que novamente se prova. Já tivemos Sam Raimi, por exemplo, trazendo o definitivo Homem-Aranha em sua trilogia, e aqui agora tivemos James Wan trazendo o melhor e mais épico filme possível do personagem Aquaman, e esperamos não ser o último!

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Um comentário em “AQUAMAN (2018) | REVIEW

  1. Pra mim filmes de heróis Marvel e DC são igual nada á acrescenta ao mundo cinematografico .. mas como hoje vivemos em uma era tão pobre de roteiros nem tão pouco inteligente pra um publico fácil demais e preguiçoso inventaram de fazer esse filão.. que para mi já saturou faz tempo,eu já não curto esse heróis americanos há muito tempo desde que deixei de ser colecionador de HQ’s , um critico de um blog não gostou de assistir Agua.. desculpe Aquaman nos cinemas pois ele falou que o roteiro lembra um filme da Disney/ Pixar chamado “Procurando Nemo” eu nem sei se ele falou que lembra esse filme ,pois esse procurando Nemo ” eu nem assisti .. logo,logo em breve teremos outra bomba da DC nos Cinema “SHAZAM ! ou Capitão Marvel ” para os mais antigos e á Marvel lançaram em Abril o desfecho da cag.. ops ! Saga ” OS VINGADORES – ULTIMATE “,mais um filminho de roteiro fácil e patético ,ainda bem que desse universo eu já sai e não volto mais ,parabéns por sua publicação nesse blog genial .

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